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COM MUITO AMOR EU QUERO TE DIZER, SEJA BEM VINDO.
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sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
Amor é um Começo pelo Fim
(Artur da Távola)
O amor corre mais rápido do que os acontecimentos
que estão no seu caminho. Na vigência do amor,
as pessoas vão até o fim das outras muito rapidamente,
passando por cima, ambas, de aspectos, maneiras de
ser e comportamentos do ser amado.
O amor é uma corrida apressada até o fim e o mais alto do
outro. Só depois de, se lá chegar, e viver, e ser, e gozar, e
sentir, começam os percursos e percalços da volta, retorno às
partes que se tornaram retardatárias mas existem e se movimentam.
É como o curso de um rio que desemboca no próximo e reflui.
Na vigência explosiva ou hipnótica do amor, chega-se logo, e
com deslumbramento, ao fim do curso. Aí, há o refluxo. A água
volta à origem e no retorno vai passando por partes que ficaram
submersas, invadidas ou esquecidas quando as águas
passaram aceleradas e torrenciais.
O amor é um começo pelo fim, no qual o meio vem sempre
depois com as suas insuperáveis leis. Por isso, corre mais
rápido do que as veredas que estão no seu caminho. A vivência
de amor é difícil e dolorosa porque significa voltar, depois de ter
chegado ao fim, ao auge, ao máximo.
O amor verdadeiro e duradouro é o preço desse retorno sobre si
mesmo e a complementação de tudo o que estava no caminho e
foi superado pela velocidade e intensidade das águas-paixão.
Essa volta vai revelando, dia a dia, momento a momento, as
margens de cada um que ficaram esquecidas ou deixadas para
depois na passagem turbilhonária e deslumbrante da paixão.
Nessas margens estão os mais lindos recantos de cada ser e se
escondem aspectos menores e restritivos, os defeitos e imperfeições.
Difícil, portanto, não é a chegada ao fim: é viver os vários
refluxos, pois neles estão escondidas as depressões suficientes
(ou não) para terminar o amor. Ao mesmo tempo, o amor cresce,
na medida em que o refluxo permite descobrir, com mais calma,
as partes lindas de cada um, os remansos, as terras fecundas
do afeto, as voltas sinuosas, os jardins de paz e de cada
existência. As partes férteis de cada ser.
É quando o amor deixa de ser muito bom, para ser mútuo bom.
E o amor só é muito bom quando, depois de ter chegado ao
máximo (no sentido de ápice, extremo), volta-se sobre si mesmo
num refluxo enriquecedor e aumenta depois que passa a ilusão.
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